Viseu

Viseu, a capital esquecida do centro de Portugal: a Sé, Grão Vasco e o Dão à porta

Viseu, a capital esquecida do centro de Portugal: a Sé, Grão Vasco e o Dão à porta

Pergunte a um português distraído onde fica Viseu e há boa hipótese de hesitar. É das cidades menos vendidas do país, escondida no planalto beirão entre serras, e talvez seja por isso que é tão boa de visitar: tem um centro histórico cheio sem estar refém de excursões, e à porta de casa uma das melhores regiões de vinho de Portugal.

O Adro da Sé, o melhor largo do centro

O coração de Viseu é o Adro da Sé, uma praça de pedra ladeada por dois edifícios que se encaram: a Sé Catedral, robusta e meio fortaleza, e a Igreja da Misericórdia, branca e leve, de fachada barroca. Entre as duas, a cidade antiga desce em ruas estreitas até à zona comercial. Vá ao fim da tarde, quando a pedra dourada apanha a luz baixa e os cafés do largo enchem.

Dentro da Sé, suba ao claustro e não saia sem ver o teto da abóbada, com os seus nervos de granito.

Grão Vasco, o pintor que deu nome à cidade

Ali ao lado, no antigo paço episcopal, está o Museu Grão Vasco. Vasco Fernandes foi o grande pintor do Renascimento português e Viseu foi a sua terra; o museu guarda os painéis que pintou para a catedral, incluindo o célebre São Pedro. Mesmo para quem não corre a museus, vale a meia hora — é a alma da cidade pendurada na parede.

Depois, perca-se no bairro antigo. As ruas à volta da Rua Direita guardam casas brasonadas, lojas de sempre e a Porta do Soar, resto da muralha velha.

O Dão começa à saída da cidade

Esta é a vantagem injusta de Viseu: a Rota dos Vinhos do Dão começa praticamente nos arredores. O Dão faz tintos elegantes de touriga nacional e brancos de encruzado que envelhecem como poucos em Portugal, numa paisagem de granito e pinhal. Reserve uma tarde para visitar uma adega — muitas ficam a vinte minutos de carro — e leve quem conduz a sério ou um motorista, porque as provas são generosas.

A nota honesta: Viseu não tem comboio que sirva (a linha fechou há muito), por isso conte com carro. De autocarro chega-se, mas sem carro o Dão fica difícil de explorar.

  • Base de duas noites: uma para a cidade, outra para uma adega do Dão.
  • Vá ao Adro da Sé ao fim da tarde para a luz; de manhã está em sombra.
  • Prove o bola de carne viseense e um copo de Dão tinto numa tasca da baixa.

Saia da cidade pela estrada de Penalva e olhe os bardos a perder de vista. É vinho até onde a vista chega.