Esqueça o Drácula. A Transilvânia que vale a pena não está nos castelos de bilhete e fila, está nas colinas verdes onde ainda passam carroças puxadas a cavalo e onde, ao fim do dia, as vacas voltam sozinhas do pasto, cada uma metendo-se pelo seu portão como se ninguém precisasse de as guiar. É um pedaço da Roménia que parou algalgures entre a Idade Média e o século XIX, e ainda bem.
Viscri e Biertan, duas aldeias saxãs
Os saxões — colonos germânicos chegados há mais de oito séculos — deixaram dezenas de aldeias com igrejas fortificadas, casas baixas pintadas de azul, verde e ocre, e celeiros de madeira. Viscri é a mais conhecida, em parte porque o rei Carlos III de Inglaterra comprou ali uma casa e ajudou a salvar o lugar do abandono. A igreja fortificada, branca, com a sua torre de madeira, está classificada pela UNESCO. Biertan, mais a sul, tem uma das maiores igrejas fortificadas da região, no alto de uma colina, com três anéis de muralhas.
O que torna estas aldeias especiais não são os monumentos em si. É o ritmo. Não há grandes hotéis nem cafés de esplanada cheia. Dorme-se em casas tradicionais recuperadas, come-se sopa azeda (ciorbă) e queijo fresco, e à noite ouve-se o silêncio.
Como organizar a viagem
O melhor é alugar carro a partir de Sibiu ou de Brașov, ambas cidades com centro histórico saxão muito bem conservado e boa base para explorar. As estradas secundárias são lentas e por vezes esburacadas, mas é nelas que a viagem acontece. Conte com algum desconforto: a sinalização é fraca e nem toda a gente fala inglês fora das cidades.
Quando ir
Maio e junho, com as colinas verdes e as flores nos prados, ou setembro, depois do calor de verão. Em pleno inverno, muita coisa fecha e as estradas de montanha complicam-se.
Um aviso: a Transilvânia entrou nos roteiros da moda e Viscri, sobretudo aos fins de semana de verão, recebe autocarros de excursão. Vá durante a semana, durma uma noite na aldeia e fique para ver o gado regressar ao entardecer. É aí que se percebe porque é que aquilo sobreviveu.