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Algarve em Setembro: o Mar Mais Quente do Ano e as Praias sem Multidões

Depois de agosto, o Algarve esvazia-se, o mar aquece e os preços descem — eis o guia para aproveitar a época baixa sem perder qualidade.

Algarve em Setembro: o Mar Mais Quente do Ano e as Praias sem Multidões

São oito da manhã na Praia da Falésia e há mais gaivotas do que pessoas. Em agosto, este areal com quase seis quilómetros entre Olhos de Água e Vilamoura enchia-se de guarda-sóis lado a lado antes das dez. Agora, na primeira semana de setembro, dá para estender a toalha onde bem se entender e ainda ouvir o mar. É esta a diferença que faz o Algarve valer a pena depois do verão de multidões — e é sobre isso que vale falar antes que a época mude outra vez.

Porque é que setembro é o mês certo

Há um erro comum em quem pensa em viajar para o sul de Portugal: assumir que a época boa termina a 31 de agosto. Na prática, é o contrário. O Atlântico demora semanas a aquecer depois do pico de calor do verão, por isso a água do mar em setembro costuma andar entre os 21°C e os 23°C nas praias da zona central e este, mais quente do que em junho ou até em julho. Os dias continuam longos, com máximas a rondar os 27°C-28°C, e as noites já refrescam o suficiente para dormir sem ar condicionado.

A segunda razão é mais simples e tem que ver com o calendário escolar português: as aulas recomeçam por volta de 12 a 16 de setembro, o que significa que a maioria das famílias com crianças regressa a casa antes disso. De um dia para o outro, o Algarve central — Albufeira, Vilamoura, Praia da Rocha — perde uma fatia enorme dos seus visitantes. Restam sobretudo casais, reformados e viajantes sem horário escolar a cumprir, e as praias voltam a parecer-se com o que eram há vinte anos.

Onde ficar consoante o que se procura

O Algarve não é uma coisa só, e escolher a base certa muda completamente a experiência. Para quem quer sossego sem abdicar de boa gastronomia, Tavira continua a ser a aposta mais segura: cidade de casario branco às margens do rio Gilão, com acesso de barco às praias de ilha-barreira da Ria Formosa, onde a maré e o vento fazem mais barulho do que os turistas. Em Cabanas de Tavira e na Manta Rota, mais a leste, os preços de alojamento tendem a ser inferiores aos da zona central mesmo em plena época, e a água aquece ainda mais depressa graças ao efeito da laguna.

No outro extremo, Sagres e a Costa Vicentina servem quem prefere paisagem selvagem a animação noturna — falésias, ondas de surf mais limpas depois do calor de agosto e pousadas simples em vez de resorts. Lagos fica algures no meio: praias pequenas e espetaculares como a Dona Ana ou a Camilo, restaurantes de peixe grelhado na marina, e ainda assim uma vida noturna ativa aos fins de semana, mesmo fora de época.

Vale ainda mencionar Faro, cidade que a maioria dos turistas atravessa a caminho do aeroporto sem lhe dar mais do que uma tarde. É um erro: a cidade velha, murada, com a Sé gótica e as cegonhas a nidificar nas torres, merece pelo menos uma manhã de calma antes ou depois da praia. Do centro histórico até à Ilha de Faro, na Ria Formosa, há autocarro local em poucos minutos, e setembro é precisamente a altura em que essa combinação — cidade pela manhã, praia à tarde — deixa de ser uma corrida contra o calor.

Um aviso que vale a pena ter em conta

Nem tudo são vantagens. Alguns restaurantes sazonais e beach bars da costa oeste começam a fechar portas a partir de meados de setembro, sobretudo os que vivem exclusivamente do turismo de praia — em Odeceixe ou no Amado, é normal encontrar persianas fechadas já na última semana do mês. Vale a pena confirmar horários antes de planear o jantar em locais mais isolados, e reservar mesa em Lagos ou em Albufeira ao fim de semana, porque essas continuam cheias mesmo com a época baixa a começar.

Preços que descem sem que a qualidade desça

É aqui que setembro compensa de forma mais evidente. Depois de 15 de setembro, os alojamentos da zona central — hotéis de quatro estrelas em Vilamoura, apartamentos turísticos em Albufeira — costumam praticar tarifas claramente mais baixas do que em agosto, por vezes menos de metade do valor pedido no pico do verão pela mesma unidade. Os voos low-cost para o aeroporto de Faro, operados sobretudo pela Ryanair e pela easyJet a partir de cidades como Londres, Manchester ou Bristol, também descem de preço à medida que a procura de famílias desaparece. Some-se a isto o facto de já não ser preciso reservar campo de golfe com um mês de antecedência: os mais de quarenta percursos espalhados pelo Algarve, do Vale do Lobo ao Palmares, voltam a ter horários livres de última hora, e jogar às nove da manhã sem calor sufocante torna-se, de repente, possível outra vez.

Para quem viaja de comboio a partir de Lisboa, a linha do Algarve chega a Faro em pouco mais de três horas, com ligação de autocarro local até às praias mais afastadas da estação. É uma alternativa mais barata do que alugar carro só para os primeiros dias, sobretudo se a base escolhida for uma cidade com boa rede de autocarros, como Faro ou Lagos.

O que fazer além da praia

  • Passeio de barco pela Ria Formosa até à Ilha Deserta, a única praia de Portugal sem construções, partindo de Faro ou de Olhão por cerca de 15 a 20 euros por pessoa.
  • Caminhada num troço da Rota Vicentina, entre Odeceixe e Aljezur, com temperaturas já suportáveis para andar a pé durante horas.
  • Prova de cataplana de marisco em Ferragudo, vila piscatória junto a Portimão que escapa em grande parte ao turismo de massas.
  • Observação de golfinhos ao largo de Lagos ou de Portimão, com as águas mais calmas do que em pleno verão.

Quem preferir fugir do calor litoral por um dia tem em Silves, a cerca de vinte minutos de carro de Portimão, um castelo mourisco de tijolo vermelho com vista sobre o rio Arade e laranjais que perfumam o ar mesmo fora da época de colheita. É um contraponto interessante à praia — ruas de calçada, um mercado municipal com queijo de cabra e figos secos, e turistas a uma fração da densidade da costa. Combinar um dia de interior com dois ou três de litoral costuma resultar melhor do que ficar sempre no mesmo areal.

Há ainda quem prefira simplesmente não fazer nada de especial. Sentar numa esplanada em Alvor ao final da tarde, pedir uma imperial e ver o sol a descer sobre o estuário sem pressa nenhuma — isso também é Algarve em setembro, e talvez seja a versão mais honesta do que este destino sempre prometeu ser.

Uma última nota prática

Se está a planear a viagem, vale reservar o alojamento com pelo menos três a quatro semanas de antecedência mesmo fora de época — os fins de semana longos de setembro continuam a atrair procura, e as unidades mais pequenas em Tavira ou em Sagres esgotam depressa apesar dos preços mais simpáticos. O resto trata-se sozinho: leve protetor solar, porque o sol algarvio em setembro engana pela brisa mais fresca, e reserve pelo menos uma manhã livre sem planos. É nessas manhãs, sem multidões a competir pelo mesmo pedaço de areia, que se percebe porque é que tanta gente volta ao Algarve todos os anos — só que, cada vez mais, prefere fazê-lo depois do verão acabar.