Tavira

Tavira — a face calma do Algarve

Tavira — a face calma do Algarve

Enquanto meio Algarve se atropela em torno das praias do barlavento, Tavira fica ali, do lado de sotavento, a deixar o rio Gilão passar por baixo das suas pontes. É um Algarve de outra velocidade: casario branco, telhados de tesouro, igrejas a mais para uma vila tão pequena, e a praia separada por uma laguna que obriga a apanhar um barco. Quem procura sossego com sol encontra-o aqui.

Uma vila de pontes e igrejas

O rio Gilão corta Tavira ao meio e atravessa-se por várias pontes, a mais conhecida das quais é chamada ponte romana — embora a estrutura que hoje se vê seja bem mais tardia, o local guarda a memória da passagem da antiga via. De um lado e do outro, as ruas sobem em calçada até ao castelo e à igreja de Santa Maria do Castelo, onde repousam cavaleiros da Reconquista. Diz-se que Tavira tem dezenas de igrejas; não é preciso entrar em todas, mas vale subir até ao castelo ao fim do dia, quando os telhados de quatro águas — os tais telhados de tesouro, típicos da terra — ficam dourados.

Pelo meio, a vida acontece devagar. Sente-se nas esplanadas junto ao rio, prove o atum, que aqui é tradição antiga ligada às antigas armações de pesca, e deixe a tarde escorrer. Não há nada de urgente para ver em Tavira; o erro é tratá-la como uma lista de monumentos a despachar.

A Ilha de Tavira

A praia não fica na vila — fica numa ilha-barreira, a Ilha de Tavira, que faz parte do Parque Natural da Ria Formosa. Apanha-se um barco no cais do centro ou, em alternativa, no Quatro Águas, mesmo à entrada da ilha. Do outro lado espera um areal enorme, virado ao mar aberto, com dunas atrás e a laguna calma do lado de dentro. É das praias mais largas do Algarve e, fora de agosto, encontra-se espaço sem dificuldade.

E em pleno verão? Aí há filas para o barco e a ilha enche junto ao desembarque — mas basta andar uns minutos para o lado para a multidão rarear. A ilha é grande; a maioria das pessoas não se afasta dos chapéus de aluguer.

Como organizar

Tavira tem estação na linha do Algarve e liga de comboio a Faro e a Vila Real de Santo António, o que permite chegar sem carro. Da estação ao centro são uns minutos a pé. No verão, os barcos para a ilha são frequentes; fora de época, espaçam-se, por isso confirme o último regresso para não ficar do lado de lá.

Conselho directo: use Tavira como base para descobrir o sotavento — Cacela Velha, a poucos quilómetros, com a sua igrejinha sobre a ria, é uma das vistas mais bonitas do Algarve e fica meia tarde. Evite vir a Tavira só para um dia: a graça desta vila é não ter pressa, e isso não se faz num bate-volta.