Setúbal

Setúbal: choco frito, golfinhos e o barco para Tróia

Setúbal: choco frito, golfinhos e o barco para Tróia

Pede-se choco frito numa tasca de Setúbal e percebe-se logo que esta cidade não vive de turismo de cartão-postal. Vive do rio Sado, dos barcos de pesca que ainda entram no porto e de um peixe que se serve sem grandes cerimónias. É a melhor entrada possível para uma península que muita gente conhece só de passagem para o Algarve.

O choco frito é lei

O choco frito é o prato de Setúbal — tiras de choco panadas e fritas, douradas e estaladiças por fora, tenras por dentro, servidas com batata frita e uma rodela de limão. Há casas que vivem disto há décadas na zona da Avenida Luísa Todi e nas ruas do centro. Não complique: peça uma dose, uma cerveja fresca e mais nada. Se quiser ir a sério na descoberta, faça-o no Mercado do Livramento, um mercado municipal coberto, com painéis de azulejos, onde a banca de peixe é das mais espetaculares do país e onde se almoça de pé entre pescadores.

Os golfinhos do Sado

O estuário do Sado tem uma população residente de roazes, golfinhos que vivem ali o ano inteiro — uma raridade na Europa. Saem barcos de Setúbal para os avistar, com regras para não os incomodar, e a melhor altura é a primavera e o verão, com mar mais calmo. Aviso honesto: são animais selvagens e há dias em que simplesmente não aparecem. Quem embarca à espera de garantias sai dececionado; quem embarca pela ria, pela Arrábida ao fundo e pela hipótese, raramente se arrepende.

E sim, há dias de mar picado em que vale mais ficar em terra.

A travessia para Tróia

Do cais de Setúbal parte o ferry para a península de Tróia, do outro lado do Sado. São poucos minutos de barco e a paisagem muda por completo: do lado de lá há quilómetros de areia, dunas, pinhal e as ruínas romanas de Tróia, uma antiga fábrica de salga de peixe e de garum, o molho que abastecia o império. O ferry leva carros e passageiros, o que torna fácil combinar a praia de Tróia com o regresso à cidade para o jantar.

Para a viagem render

  • Apanhe o ferry cedo no verão; ao fim da manhã forma-se fila de carros para Tróia.
  • Combine Setúbal com a Serra da Arrábida — o Portinho fica a poucos quilómetros.
  • Reserve o passeio dos golfinhos com tempo na época alta e confirme as condições do mar na véspera.

Ao fim do dia, de volta à Luísa Todi com a serra a ficar cor-de-rosa, fica a sensação de uma cidade que não se esforça por agradar — e que, talvez por isso, agrada tanto.