Dão

A Rota dos Vinhos do Dão, alternativa ao Douro

A Rota dos Vinhos do Dão, alternativa ao Douro

Toda a gente sobe ao Douro para ver as vinhas em socalcos e provar o vinho do Porto. Poucos viram para sul, para o Dão, onde a história é outra: vinhas de altitude entre afloramentos de granito, ao abrigo das serras, e tintos elegantes que envelhecem que é um gosto. É uma região de vinho mais discreta, menos polida para o turista — e por isso mesmo mais interessante para quem quer fugir das filas.

O que torna o Dão diferente

A região demarcada do Dão fica no centro de Portugal, à volta de Viseu, protegida pelas serras da Estrela, do Caramulo e da Nave. O granito está em todo o lado — nas casas, nos muros, no próprio solo, que dá aos vinhos uma mineralidade reconhecível. A casta-rainha dos tintos é a Touriga Nacional, que aqui é diferente da do Douro; nos brancos manda o Encruzado, uma das grandes castas brancas portuguesas, capaz de vinhos com estágio que aguentam anos na garrafa. São tintos mais frescos e contidos do que os do Douro, fruto da altitude e do clima de invernos rigorosos.

Ao contrário do Douro, onde muitas quintas montaram operações turísticas com horário e bilheteira, no Dão boa parte das adegas continua a receber por marcação, num registo mais familiar. Telefone ou escreva antes; aparecer sem aviso raramente resulta.

Por onde andar

Viseu é a base natural: cidade tranquila, com a Sé e o Museu Grão Vasco, e vinho do Dão à porta em qualquer restaurante. A partir dali, parte-se para as adegas espalhadas pelos concelhos de Nelas, Mangualde, Tondela, Penalva do Castelo e Carregal do Sal, entre outros. A paisagem é de pinhal, granito e pequenas vinhas, salpicada de aldeias de pedra. Há ainda a Ecopista do Dão, o antigo traçado da linha de comboio entre Viseu e Santa Comba Dão, transformado em percurso para caminhar ou pedalar — uma maneira diferente de atravessar a região sem o carro.

  • Marque as visitas às adegas com antecedência, sobretudo nas mais pequenas, que abrem por marcação.
  • Se conduzir, combine quem prova e quem leva o carro, ou prove com moderação e cuspa — a lei não brinca e as estradas são sinuosas.
  • O outono, no tempo das vindimas, e a primavera são as melhores alturas; no pico do verão o calor da meseta aperta.

Vale a pena trocar o Douro pelo Dão?

Para a primeira viagem ao mundo do vinho português, o Douro continua imbatível pela paisagem. Mas se já conhece o Douro, ou se quer provar bem sem se enfiar em autocarros de prova e quintas cheias, o Dão dá-lhe vinhos à altura e muito mais sossego. O senão é claro: o turismo está menos organizado, as distâncias entre adegas pedem carro e nem tudo está aberto sempre. Aceite isso e ganha uma região que ainda se descobre sozinho. A minha sugestão: durma em Viseu, marque duas adegas por dia — uma de manhã, outra ao fim da tarde — e deixe o resto do tempo para a cidade e para a mesa.