Albânia

Riviera Albanesa: o Mediterrâneo que ainda escapou às multidões

Riviera Albanesa: o Mediterrâneo que ainda escapou às multidões

Imagine uma costa de água turquesa, montanhas a cair sobre o mar e preços de almoço que parecem de outro tempo. Existe, e fica na Albânia — um país que durante meio século viveu fechado a sete chaves e que só há pouco abriu o seu litoral ao mundo. A Riviera Albanesa é hoje o que o Algarve ou a costa croata foram antes de toda a gente saber deles.

A estrada que muda tudo

A coluna vertebral da Riviera é a estrada nacional que desce de Vlora até Saranda, atravessando o passo de Llogara, a mais de mil metros de altitude, com vistas que cortam a conversa a qualquer um dentro do carro. A condução é exigente — curvas apertadas, declives, condutores locais impacientes — por isso não tenha pressa e pare nos miradouros. É na descida do Llogara que o mar Jónico aparece pela primeira vez, lá em baixo, num azul que justifica toda a subida.

Praias de seixos e vilas penduradas

Ao contrário do que muita gente espera, grande parte das praias da Riviera é de seixos, não de areia fina — leve sandálias de borracha para entrar na água sem maldizer a vida. Himara é uma boa base, mais sossegada e autêntica, com enseadas como Livadhi a poucos minutos. Ksamil, no extremo sul, tem as ilhotas e a água mais fotogénica, mas no verão enche e perde encanto; vá fora de agosto. Mesmo ao lado fica Butrint, um sítio arqueológico extraordinário, com camadas grega, romana e veneziana, Património Mundial e quase sempre vazio.

E não, já não é o segredo absoluto que era há dez anos. Mas continua barato e generoso.

Comer e dormir por pouco

A mesa albanesa é mediterrânica e farta — peixe grelhado, saladas, queijo, azeite bom, byrek (o folhado salgado dos Balcãs). Um jantar de peixe à beira-mar custa uma fração do que custaria em Portugal, e a hospitalidade é genuína, herança de uma cultura onde receber o estrangeiro é assunto sério. As casas de hóspedes familiares são a melhor opção: limpas, simpáticas e a preço de pensão modesta.

O que saber antes de ir

  • A melhor época é junho ou setembro — mar quente, menos gente do que em agosto.
  • Alugue carro: os transportes entre vilas existem mas são lentos e pouco frequentes.
  • Leve dinheiro em numerário; fora das cidades, o cartão nem sempre é aceite.

De Portugal é viagem com escala e algumas horas de carro a partir de Tirana ou de Corfu, do lado grego. Dá trabalho chegar — e é parte da razão por que, ainda hoje, se pode passar uma tarde inteira numa enseada da Riviera quase sozinho.