Puglia

Puglia — os trulli e o calcanhar da bota italiana

Puglia — os trulli e o calcanhar da bota italiana

De longe parecem cogumelos de pedra plantados nos olivais. De perto são casas — os trulli, construções de pedra calcária seca com telhados cónicos pontiagudos, muitas pintadas de branco com símbolos a cal no cimo. Não há nada assim em mais lado nenhum, e estão concentradas no salto da bota italiana, na Puglia, a região que durante décadas os turistas atravessaram a caminho de outro sítio qualquer.

Alberobello e o Vale d'Itria

Alberobello é o postal: um bairro inteiro de trulli classificado pela UNESCO, com ruas estreitas que sobem entre os telhados de pedra. É lindíssimo e está sempre cheio — vá cedo de manhã ou ao fim da tarde, quando os autocarros já partiram. Mas o erro é ficar só por ali. O Vale d'Itria, em redor, está semeado destas casas no meio do campo, e vilas como Locorotondo, Cisternino e Martina Franca, todas brancas no alto das colinas, valem mais uma tarde sem pressa do que três horas a fotografar Alberobello.

Duas costas, dois mares

A Puglia tem o Adriático de um lado e o Jónico do outro. A sul fica o Salento, o calcanhar propriamente dito, com Lecce e o seu barroco em pedra dourada, e praias de água transparente perto de Otranto e Gallipoli. A leste, a costa adriática rochosa, com Polignano a Mare debruçada sobre o mar do alto das suas falésias. Entre uma coisa e outra, olivais centenários até onde a vista alcança.

À mesa, a sério

Coma as orecchiette, a massa em forma de pequenas orelhas, com grelos (cime di rapa). Prove a burrata de Andria, que é cremosa por dentro de um modo que arruína todas as outras. E peça focaccia barese com tomate e azeitona, de manhã, num forno de bairro. A cozinha da Puglia é simples, de produtos, de gente que viveu da terra — e é das melhores de Itália por isso mesmo.

Conselho prático: alugue carro. Os comboios ligam as cidades grandes, mas o melhor da região está nas estradas secundárias entre olivais, e sem carro fica-se preso. Evite agosto, quando os próprios italianos descem em peso e tudo aquece, em todos os sentidos.