Passadiços do Paiva

Passadiços do Paiva e a Ponte 516 de Arouca

Passadiços do Paiva e a Ponte 516 de Arouca

Oito quilómetros de estrado de madeira agarrados à encosta, com o rio Paiva a correr verde lá em baixo e quase 600 degraus pelo meio. Os Passadiços do Paiva não são um passeio de domingo de chinelos — são uma caminhada a sério, e é por isso que valem. Quem subestima as escadas costuma arrepender-se a meio.

O percurso, ponta a ponta

Os passadiços ligam Areinho a Espiunca, em Arouca, e fazem-se nos dois sentidos. O sentido recomendado é começar em Areinho, porque assim a parte mais dura, com as longas escadarias, fica para a descida. São cerca de oito quilómetros lineares, ao longo da margem esquerda do Paiva, que está classificado como um dos rios menos poluídos da Europa e tem uma cor que parece pintada. Pelo caminho passam-se praias fluviais, rápidos onde se pratica rafting na época certa e formações geológicas que valeram à zona o estatuto de Geoparque da UNESCO, o Arouca Geopark.

É preciso comprar bilhete com hora marcada e confirmar que os passadiços estão abertos — fecham por manutenção e em dias de risco de incêndio no verão. Não há sombra em grande parte do percurso, por isso evite as horas de mais calor.

A Ponte 516, suspensa no ar

A poucos minutos, sobre o desfiladeiro do Paiva, está a Ponte 516 Arouca — uma ponte pedonal suspensa de 516 metros, durante algum tempo a mais comprida do género. Atravessa-se a pé a mais de uma centena de metros de altura, com o piso a deixar ver o rio entre as ripas. Para quem tem vertigens é um teste a sério; para os outros, é dos pontos altos do dia, literalmente. Também tem bilhete com hora marcada.

Há quem queira fazer tudo no mesmo dia: passadiços de manhã e ponte à tarde. Dá, se as horas dos bilhetes encaixarem e se as pernas aguentarem — depois de oito quilómetros de escadas, há quem chegue à ponte sem vontade de mais nada.

Logística honesta

A grande dor de cabeça é o regresso ao ponto de partida. Como os passadiços não são circulares, ou se deixa carro nas duas pontas, ou se combina transporte, ou se faz o percurso de ida e volta — dezasseis quilómetros, o que já é uma jornada. Em época alta há serviços de transfer entre Espiunca e Areinho; confirme antes de ir.

Conselho prático e firme: reserve os bilhetes online com antecedência, sobretudo de primavera a outono e aos fins de semana, porque esgotam. Calce sapatos com sola a sério, leve água e um chapéu, e comece cedo. E uma nota contra o entusiasmo: se viajar com crianças muito pequenas ou com problemas de joelhos, pense duas vezes nas escadas — não é o passeio relaxado que as fotografias sugerem.