Douro

A Linha do Douro de comboio, no tempo em que tudo cheira a uva

A Linha do Douro de comboio, no tempo em que tudo cheira a uva

Há poucos prazeres tão preguiçosos e tão bem gastos como deixar o carro na Régua e apanhar o comboio que segue rio acima até ao Pocinho. A linha cola-se à margem do Douro durante quase todo o percurso, e em outubro, com as vindimas a fechar, os socalcos ardem em tons de ferrugem e ouro de uma margem à outra.

Por que é que esta viagem se faz de comboio

A estrada do Douro é bonita mas exige olhos na faixa de rodagem, e os melhores ângulos do rio só se veem de quem não conduz. O comboio resolve isso. Sente-se do lado direito no sentido Régua–Pocinho — é a margem que dá para o rio durante mais tempo — e deixe a paisagem desfilar: barcos rabelos atracados, quintas com o nome pintado na encosta, as curvas largas onde o Douro abranda.

Entre a Régua e o Tua, a linha passa pelo Pinhão, a estação que vale a paragem só pelos painéis de azulejo que cobrem as paredes com cenas das vindimas e da vida do rio. É das estações mais fotografadas do país, e merece-o. Saia, dê a volta ao edifício, e volte a entrar no comboio seguinte.

Quando ir e o que esperar do horário

O tempo das vindimas, entre meados de setembro e meados de outubro, é o momento certo: as encostas mudam de cor e há movimento nas quintas. Mas atenção ao horário — os comboios regionais nesta linha são poucos por dia e nem todos chegam ao Pocinho. Veja as horas com antecedência e planeie a volta antes de partir, ou arrisca-se a ficar à espera horas numa estação minúscula.

E se chover? Pois é — chove muito no Douro no outono. Mas a chuva sobre o rio tem o seu encanto, e há sempre o vinho do Porto para aquecer no fim.

O que fazer nas pontas da linha

  • Na Régua, vale a pena o Museu do Douro antes de embarcar, para perceber o que se está a ver depois.
  • O Pinhão é a paragem ideal para almoçar e provar um vinho de quinta.
  • No Pocinho, fim da linha atual, fica perto o Vale do Côa e as suas gravuras rupestres — bom pretexto para esticar a viagem mais um dia.

Leve pouca bagagem, um livro que não vai ler, e a disposição de olhar pela janela durante duas horas seguidas. É exatamente isso que se vem aqui fazer.