Ilhas Faroé

Ilhas Faroé — caminhar sobre o nevoeiro no Atlântico Norte

Ilhas Faroé — caminhar sobre o nevoeiro no Atlântico Norte

Imagine uma estrada que entra dentro de uma montanha por um túnel estreito de pedra nua e sai do outro lado para uma aldeia de casas com telhados cobertos de erva, agarradas a uma falésia que cai a pique para um mar cinzento. Não é cenário de filme. É um dia normal nas Faroé, um arquipélago dinamarquês a meio caminho entre a Escócia e a Islândia, onde vivem mais ovelhas do que pessoas.

O fim do mundo, mas com asfalto

Há uma ideia errada de que chegar aqui é uma odisseia. Não é. Há voos diretos de algumas cidades europeias para Vágar, e depois aluga-se um carro. As 18 ilhas estão ligadas por túneis submarinos, pontes e ferries curtos, e percorre-se quase tudo num punhado de dias. Tórshavn, a capital, é das mais pequenas do mundo e tem o casario antigo de Tinganes, com aqueles telhados de relva, à beira da água.

As caminhadas é que valem a viagem. A subida até à cascata de Múlafossur, em Gásadalur, com a água a cair directamente para o oceano, é das imagens que ficam. Já a ilha de Mykines é o reino dos papagaios-do-mar — os tais frangos de mar de bico colorido — entre maio e agosto. Reserve a travessia de barco com antecedência, porque o tempo cancela tudo sem aviso.

O nevoeiro faz parte do contrato

Sejamos honestos: o sol é uma raridade e a chuva, miudinha e lateral, é a regra. O nevoeiro pode esconder uma falésia inteira numa questão de minutos. Quem vier à procura de praia e calor fica frustrado. Mas há uma beleza estranha em ver as nuvens a rasar a relva, e os dias de luz limpa, quando aparecem, são quase irreais.

Conselhos práticos

  • Leve roupa impermeável a sério, em camadas — o vento corta mesmo em julho.
  • Algumas caminhadas em terrenos privados pagam uma pequena taxa de acesso; respeite-a, é o que mantém os trilhos abertos.
  • Coma o cordeiro fermentado (skerpikjøt) se for corajoso; se não, a sopa de peixe nunca falha.

Conduzir aqui exige cuidado. As ovelhas atravessam a estrada quando lhes apetece, e nos túneis de uma só faixa há baías para deixar passar quem vem em sentido contrário. Vá devagar. Ninguém tem pressa nas Faroé, e faz bem aprender isso.