"Aqui nasceu Portugal" — a placa na muralha de Guimarães é descarada, e tem razão. Foi por estes lados que Afonso Henriques começou a desmanchar o reino do pai. Mas o que faz de Guimarães uma cidade para um fim de semana de inverno não é só a história: é o facto de ter um centro pequeno, andável, e logo ali ao lado uma montanha e um castro celta para esticar as pernas quando o casario começa a saber a pouco.
O centro, em meia manhã (mas com calma)
O centro histórico de Guimarães é Património Mundial e percorre-se a pé sem pressa: a praça da Oliveira com os seus alpendres, a rua de Santa Maria empedrada, o Largo do Toural. Suba ao castelo e ao Paço dos Duques de Bragança logo de manhã — no inverno abrem com pouca gente. A entrada combinada poupa uns trocos e dá para os dois.
No inverno, ao fim da tarde, as ruas medievais iluminam-se e ganham um ar que o verão lotado nunca tem.
A Penha, por teleférico ou a pé
Aqui está a parte que muitos visitantes saltam. Mesmo à saída da cidade ergue-se a Montanha da Penha, e sobe-se de teleférico em poucos minutos. Lá em cima há um santuário, penedos enormes, grutas e miradouros sobre Guimarães e o vale do Ave. Em dia limpo de inverno, a vista chega longe; em dia de nevoeiro — e o Minho dá nevoeiro — vê-se um palmo à frente do nariz, e aí o teleférico é capaz de não andar. Confirme antes de subir.
Se preferir caminhar, há trilhos que sobem a pé do centro até ao topo. Não são longos, mas a subida é a sério; leve água e sapatos a condizer.
Citânia de Briteiros, a aldeia que os romanos encontraram
A uns quinze quilómetros da cidade fica a Citânia de Briteiros, um dos maiores povoados castrejos da Península — casas redondas de pedra, ruas calcetadas e muralhas de antes de Roma chegar. No inverno, com a erva verde entre as pedras e ninguém à volta, anda-se por ali quase em silêncio. É uma viagem de carro curta e vale uma manhã.
- Compre a entrada combinada castelo + Paço dos Duques; sai mais barata.
- Confirme o funcionamento do teleférico da Penha em dias de nevoeiro antes de ir.
- Para Briteiros precisa de carro ou táxi; não há transporte público cómodo.
À noite, sente-se numa tasca do centro com um caldo verde e uma rojões à minhota, e deixe a cidade fazer o resto.