Os autocarros de excursão chegam a Évora pela manhã, despejam grupos no Templo Romano, levam-nos à Capela dos Ossos e tornam a partir antes do almoço. Quem fica vê a outra Évora: a que se acende ao fim da tarde, quando os autocarros já foram embora e a cidade volta a ser dos seus, com mesas postas nas praças e o sol a bater na pedra dourada das muralhas.
O essencial, mas sem pressa
O centro de Évora, dentro das muralhas, é Património Mundial e percorre-se a pé devagar. O Templo Romano, vulgarmente conhecido como Templo de Diana — embora não fosse dedicado a Diana —, é o ex-líbris, com as suas colunas coríntias erguidas sobre a parte alta da cidade. Ao lado, a Sé de Évora, catedral fortificada de granito, deixa subir-se ao terraço, de onde se vê a cidade e a planície a perder de vista. E há a Capela dos Ossos, na Igreja de São Francisco, com as paredes forradas de ossos e crânios e a célebre advertência à entrada — um sítio que impressiona e que enche cedo, por isso vá logo de manhã ou ao fim do dia.
Mas Évora não se esgota nos monumentos da lista. A Praça do Giraldo, com a sua fonte e os arcos, é o ponto de encontro de sempre; à volta dela, ruas estreitas levam a largos sossegados, conventos transformados em pousada, lojas de cortiça e de tapeçaria. Sente-se numa esplanada e deixe a cidade passar.
Comer Alentejo a sério
Em Évora come-se a cozinha alentejana sem cerimónia: açorda, migas, ensopado de borrego, carne de porco à alentejana com amêijoas, e a doçaria conventual que faz subir o açúcar só de olhar. Acompanhe com vinho do Alentejo, que é dos melhores do país e está à porta. Fuja dos restaurantes com fotografias dos pratos na montra à volta do Templo; bastam duas ruas para dentro para comer muito melhor e mais barato.
Como fazer o fim de semana
Évora tem ligação de comboio a partir de Lisboa, num percurso de cerca de hora e meia, o que a torna um fim de semana fácil sem carro — dentro das muralhas faz-se tudo a pé. Chegue na sexta ao fim do dia, durma dentro do centro histórico e tem a cidade quase só para si à noite e ao primeiro pequeno-almoço.
Conselho directo: guarde o domingo de manhã para os arredores. A poucos quilómetros está o Cromeleque dos Almendres, um conjunto de menires com milhares de anos no meio dos sobreiros, e bem mais antigo do que Stonehenge — vá cedo, antes do calor, e provavelmente vai tê-lo só para si. Se o tempo der, o Convento dos Lóios e o Aqueduto da Água de Prata, que entra pela cidade dentro com casas encostadas aos arcos, fecham o quadro. Évora num só dia despacha-se; num fim de semana, conhece-se.