Algarve

Culatra e Armona — as ilhas sem carros da Ria Formosa

Culatra e Armona — as ilhas sem carros da Ria Formosa

Não há um único automóvel. Esse é o primeiro choque ao desembarcar na Culatra: o barco encosta, descarrega caixas de peixe e malas, e a seguir só há areia, passadiços de madeira e o som das gaivotas. As ilhas-barreira da Ria Formosa, mesmo em frente a Olhão e Faro, são um Algarve que pouca gente do continente conhece — e que os algarvios guardam quase para si.

Duas ilhas, dois ambientes

A Culatra é uma comunidade piscatória a sério, com casas baixas, uma escola, um centro de saúde e gente que ali vive o ano inteiro do mar. O farol do Cabo de Santa Maria, o mais alto de Portugal, marca a paisagem. A praia, do lado de fora, é uma língua de areia comprida e ventosa, óptima para caminhar. Armona, ao lado, é mais de casas de férias e tem uma travessia rápida a partir de Olhão; a praia da banda do mar aberto é larga e dourada, com dunas.

Como chegar

Os barcos da carreira saem de Olhão e de Faro várias vezes ao dia, com horários que mudam conforme a época — confirme antes. A travessia é curta e barata. No verão há mais frequências; no inverno, poucas, e a Culatra fica entregue aos seus pescadores. Leve dinheiro trocado, água e comida se for caminhar muito, porque a oferta de restaurantes é pequena e fecha cedo fora de época.

O que fazer (e o que não fazer)

  • Coma amêijoas, ostras e arroz de marisco num dos poucos restaurantes da ilha — o marisco da ria é dos melhores do país.
  • Caminhe da povoação até ao farol; é plano, mas leva o seu tempo na areia.
  • Não leve lixo de volta para a ria nem ande fora dos passadiços nas dunas — isto é parque natural e a vegetação que fixa a areia é frágil.

É um sítio que se ama ou se acha aborrecido, sem meio-termo. Quem precisa de animação não vai gostar. Quem quer um dia de praia comprida, marisco fresco e zero ruído de motores — vá num dia de semana fora de agosto e fique até ao último barco.