Coimbra

Coimbra para além da universidade

Coimbra para além da universidade

Quase toda a gente que vai a Coimbra sobe à Alta, vê a Biblioteca Joanina, tira a fotografia da torre e desce outra vez para o comboio. Faz-se em três horas e fica-se com a ideia de que Coimbra é uma universidade com cidade à volta. É pena, porque a cidade que está em baixo, encostada ao Mondego, é a que se vive de verdade.

Descer à Baixa

A Baixa de Coimbra é um emaranhado de ruas estreitas que descem da colina até ao rio. A Rua Ferreira Borges e a Rua Visconde da Luz formam o eixo comercial de sempre, com lojas antigas, pastelarias e a igreja de Santa Cruz, onde estão sepultados os primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I. Ao lado, no Café Santa Cruz, instalado numa antiga capela, bebe-se uma bica debaixo de abóbadas góticas — e às vezes ouve-se fado ao fim do dia.

Porque o fado de Coimbra não é o de Lisboa. Canta-se de capa e batina, é tradicionalmente cantado por homens ligados à academia, mais contido e melancólico, e ouve-se em casas próprias e, em certas noites, à porta da Sé Velha, com os ouvintes calados nas escadarias. A Sé Velha, essa, é uma catedral românica fortificada do século XII que merece mais do que a passagem rápida: o claustro silencioso é dos melhores sítios da cidade para fugir ao calor.

O Mondego, que toda a gente esquece

O rio é o grande ignorado. Atravesse a ponte de Santa Clara para a outra margem e olhe para trás: a cidade trepa a colina em socalcos de telhados, e ao fim da tarde a luz bate-lhe de frente. Do lado de lá ficam o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, recuperado das águas que durante séculos o inundaram, e o Parque de Santa Cruz para quem quiser um passeio à sombra. Alugar uma bicicleta ou simplesmente caminhar pela margem tira a Coimbra dos circuitos de autocarro num instante.

Conímbriga, à porta

A poucos quilómetros, em Condeixa-a-Nova, está Conímbriga, a maior cidade romana escavada em Portugal. Veem-se as casas com mosaicos, os repuxos da Casa dos Repuxos quando os fazem funcionar, e o traçado das muralhas erguidas à pressa quando os bárbaros se aproximaram. Chega-se de autocarro a partir de Coimbra; confirme o regresso, porque a oferta é curta e ficar a pé num campo arqueológico ao fim da tarde não é plano.

O meu conselho: dê dois dias a Coimbra. Reserve a manhã do primeiro para a Alta e a universidade, com bilhete comprado online para a Joanina, e gaste o resto na Baixa, no rio e numa noite de fado numa casa pequena. Conímbriga fica para o segundo dia. Quem fizer tudo numa tarde leva uma fotografia bonita e perde a cidade inteira.