Trás-os-Montes

Bragança e Montesinho: o canto de Portugal que quase ninguém abre

Bragança e Montesinho: o canto de Portugal que quase ninguém abre

Pergunte a dez portugueses quando foi a última vez que estiveram em Bragança. A resposta, quase sempre, é um silêncio embaraçado. É longe, dizem. E é — fica no extremo nordeste, encostada a Espanha, na chamada Terra Fria transmontana. Mas é precisamente por estar longe que continua a ser uma das zonas mais inteiras e menos estragadas do país.

A cidadela que ficou de pé

Bragança guarda dentro de muralhas uma das cidadelas medievais mais bem conservadas de Portugal. Lá dentro vivem ainda pessoas, há ruas habitadas, e ergue-se o castelo com a sua torre de menagem e, ao lado, a Domus Municipalis — um curioso edifício românico de planta pentagonal, raro na Península, que servia de casa de reuniões e cisterna. Suba à torre, dê a volta às muralhas, e desça depois à cidade baixa, onde a vida moderna segue o seu ritmo, devagar.

A gastronomia transmontana é, por si só, motivo de viagem: a posta à mirandesa, os enchidos fumados, o butelo com cascas no inverno, o folar. Coma pesado, que o frio do nordeste pede.

Montesinho, o sertão verde lá em cima

A poucos quilómetros começa o Parque Natural de Montesinho, uma das maiores áreas protegidas do país e talvez a mais solitária. São montes ondulados, urzes, soutos de castanheiros, e dezenas de aldeias de xisto e de pedra onde o tempo desacelerou de vez — Rio de Onor, partida entre Portugal e Espanha pela mesma rua, é a mais célebre, com a sua antiga tradição comunitária. Pelos montes anda o lobo-ibérico, esquivo, que dificilmente verá mas que está lá.

Uma nota: o inverno aqui é duro, com neve e geada, e muitos serviços nas aldeias fecham fora de época. A compensação é a paz absoluta e, no outono, os castanheiros a arder em tons de cobre por todo o lado.

Como chegar e quando

De carro, conte com várias horas a partir do litoral — é o preço de entrada, e parte do encanto. O outono, com a apanha da castanha e as cores nos soutos, é a estação certa; a primavera vem logo a seguir, com os montes em flor. Faça base em Bragança, e dedique pelo menos um dia inteiro a entrar por Montesinho aldeia a aldeia, sem destino fixo. Pare onde lhe apetecer. Aqui, ninguém tem pressa de o ver passar.