A meia hora de barco de Peniche há uma ilha de granito rosa cravada no Atlântico, com um forte no meio do mar e uma água que, em dias bons, fica turquesa como em poucos sítios de Portugal continental. A Berlenga Grande é deslumbrante — e é precisamente por isso que está em risco de ser amada até à exaustão.
Uma reserva, não um parque de diversões
O arquipélago das Berlengas é Reserva Natural desde os anos setenta e Reserva da Biosfera da UNESCO. Aqui nidificam aves marinhas como o airo e a gaivota-de-patas-amarelas, e o fundo marinho é dos mais ricos da costa. Para travar a pressão humana, o número de visitantes diários por barco está limitado, e bem. Isto significa uma coisa prática: no verão, reserve a travessia com antecedência ou arrisca-se a ficar em terra.
O que ver numa visita de um dia
Os barcos saem do porto de Peniche e atracam junto ao pequeno areal. Daí sobe-se ao farol pela escadaria, com vistas sobre toda a ilha, e desce-se ao Forte de São João Baptista, ligado à ilha por uma ponte estreita de pedra — hoje funciona como abrigo simples para quem queira pernoitar, mas o conforto é mínimo. De barco mais pequeno visitam-se as grutas marinhas, sendo a Furado Grande, um túnel natural na rocha, a mais impressionante.
Leve tudo o que vai precisar. Na ilha não há mercearia nem farmácia, e o que se deixa por lá fica a pesar no ecossistema.
Visitar sem deixar marca
A regra de ouro é simples: traga de volta tudo o que levou, lixo incluído. Não saia dos trilhos marcados — o solo é frágil e as aves nidificam no chão. Não alimente as gaivotas, por muito insistentes que sejam. E pense duas vezes antes de ir num pico de agosto: quanto mais gente, maior o desgaste de uma ilha minúscula.
Plano realista
- Vá em junho ou setembro, fora do auge do verão, com mar mais calmo e menos multidão.
- O mar agita-se com facilidade; se sofre de enjoo, tome qualquer coisa antes de embarcar.
- Quem quiser mergulho com snorkel deve levar o próprio equipamento — a água é fria mas clara.
Ao voltar a Peniche ao fim da tarde, com o forte a afastar-se na linha de água, percebe-se a sorte que é ter um sítio assim a tão pouca distância de Lisboa. Resta tratá-lo como o que é: uma reserva, não um cenário descartável.