Belmonte

Belmonte: a judiaria que sobreviveu em segredo, o castelo e a casa dos Cabral

Belmonte: a judiaria que sobreviveu em segredo, o castelo e a casa dos Cabral

Há uma coisa que distingue Belmonte de qualquer outra vila da Beira: a comunidade judaica daqui resistiu cinco séculos em segredo. Depois da expulsão e das conversões forçadas, os judeus de Belmonte viraram cristãos à força — Cristãos-Novos — mas continuaram, à porta fechada, a guardar os ritos. Durante gerações ninguém de fora soube. Só no século XX o segredo veio ao de cima. É essa camada invisível que torna esta vila granítica diferente de todas as outras.

A judiaria viva e o Museu Judaico

Belmonte tem hoje uma sinagoga em funcionamento — a Bet Eliahu — e uma comunidade que voltou à prática aberta da sua fé. No bairro antigo, o Museu Judaico conta a história dos criptojudeus: como rezavam sem livros, como passavam as orações de mãe para filha, como mantiveram a Páscoa judaica disfarçada. Não é um museu grande, mas sai-se de lá a olhar para a vila de outra maneira.

Ande pelas ruas da judiaria sem mapa. As casas de granito escuro, as vergas com inscrições, o silêncio — tudo conta a mesma história sem dizer uma palavra.

O castelo e a ligação a Pedro Álvares Cabral

No topo da vila ergue-se o castelo de Belmonte, de muralhas largas e uma janela manuelina elegante encaixada na pedra rude. Foi terra dos Cabral, e é daqui que vem Pedro Álvares Cabral, o navegador a quem se atribui a chegada ao Brasil em 1500. Junto ao castelo está a igreja de São Tiago e o panteão da família. Suba à muralha pela vista: dali domina-se a Cova da Beira e, ao longe, a Serra da Estrela coberta de neve no inverno.

Mesmo à saída da vila há ainda uma torre romana, a Centum Cellas, um enigma quadrado de granito que ninguém sabe ao certo para que servia. Pare lá nem que seja cinco minutos.

Como encaixar Belmonte na viagem

Belmonte é pequena — meio dia chega para o essencial. Mas combina lindamente com a Serra da Estrela ali ao lado, ou com Sortelha e a Covilhã. No inverno, com a serra branca ao fundo, a vila ganha um recolhimento que lhe assenta. A nota honesta: fora de época, alguns sítios para comer fecham, por isso confirme antes ou venha preparado para almoçar na Covilhã.

  • Comece pelo Museu Judaico antes do castelo — dá contexto a tudo o resto.
  • Não falte à Centum Cellas, a uns minutos de carro da vila.
  • Combine com a Serra da Estrela ou com Sortelha no mesmo dia.

Antes de ir, pare numa loja e prove um azeite ou um enchido da Beira. A terra é dura; o que dela sai, não.